A Indignidade Paradóxica

Desde Janeiro 2009, a maioria dos países-membros da CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa) terá mudado a sua ortografia para aquela acordada no famoso (ou melhor, infame) Acordo Ortográfico (que, por mim, não devia ser referido como começando por maiusculas). Pelos vistos, Portugal está a adiar o processo de integração.

Tal notícia deixa-me num estado ambivalente: em primeiro lugar, sinto um certo alívio, não tendo de repentinamente mudar para um português semi abrasileirado; em segundo lugar, encontro em mim o crescimento do monstro chamado indignidade.

Por menos que concorde com o acordo ortográfico, há que aceitar (vinde aspas) a decisão governamental no caso.
– Não concordo, não gosto e não escreverei correcção sem um “c” mudo! – ouvir-me-ão exclamar – Se quiserem que eu escreva alguma coisa em português, fiquem já a saber que vai ser escrito à moda antiga. Se não gostarem, arranjem-me alguém para converter os meus textos para a nova ortografia porque eu não o farei!

Agora, imaginem a minha cara, o meu espanto, a minha indignação aliás, quando vejo nas noticias que o governo Português parece estar a adiar a integração da nova ortografia.

Ora bem, depois de todo este trabalho de ter nadado contra a corrente anti-acordo, vão repentinamente virar as costas na promessa que fizeram (lembremo-nos que o acordo está assinado)? Caro governo Português, podem ser muitas coisas e agir de muitas formas, mas por favor não me venham fazer figuras de crianças indecisas, pedindo uma coisa e achando-a horrorosa meio segundo depois. Assumiram um compromisso e não estão a cumprir a vossa parte. Como tal, deixam outras nações ter a ideia que Portugal tem um governo mal coordenado, desajeitado e com problemas quando se fala de compromissos. Já era mau o suficiente o acordo ter sido assinado com o nosso nome quando a nossa população não o queria, mas agora encolhem-se face o trabalho de rever a literatura lusófona toda!

Um pedido: decidam-se!

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